RELACIONAMENTOS ABUSIVOS: ENTENDENDO O QUE AS PESQUISAS REVELAM
Autora: Luzia Bittencourt
Publicado em 15 de Julho de 2026
RELACIONAMENTOS ABUSIVOS: ENTENDENDO O QUE AS PESQUISAS REVELAM
Autora: Luzia Bittencourt
Publicado em 15 de Julho de 2026
Nem toda relação abusiva começa com violência. Muitas começam com pequenas renúncias de quem você é.
Quando pensamos em um relacionamento abusivo, é comum imaginarmos situações evidentes de agressão, humilhação ou violência. No entanto, pesquisas científicas mostram que a realidade costuma ser muito mais complexa.
Os estudos indicam que relacionamentos abusivos geralmente se desenvolvem de forma gradual. Muitas vezes, comportamentos de controle aparecem disfarçados de cuidado, proteção, preocupação ou demonstrações de amor. O ciúme excessivo, a necessidade de saber onde o outro está o tempo todo, o isolamento de amigos e familiares e a desvalorização constante podem surgir de forma tão sutil que acabam sendo confundidos com afeto.
Outro aspecto importante apontado pelas pesquisas é que a permanência em uma relação abusiva raramente acontece por uma única razão. Fatores como dependência emocional, dependência financeira, proteção dos filhos, medo da solidão, pressão familiar, crenças religiosas e expectativas sociais podem influenciar profundamente esse processo.
Um dado relevante observado pelos pesquisadores é que muitas mulheres apresentam atitudes desfavoráveis à permanência em relacionamentos abusivos, ou seja, sabem que a situação lhes faz mal. Ainda assim, fatores emocionais, sociais e culturais podem dificultar a decisão de interromper a relação.
As pesquisas também destacam que a naturalização de comportamentos abusivos pode fazer com que a violência seja percebida como algo "normal". Em alguns casos, a pessoa cresce observando relações marcadas pelo controle, pela desvalorização ou pelo silenciamento emocional e passa a considerar essas dinâmicas como parte natural dos relacionamentos.
Outro ponto importante é que experiências abusivas podem deixar marcas profundas na forma como a pessoa se relaciona futuramente. Algumas passam a repetir padrões semelhantes, enquanto outras encontram dificuldades para confiar, estabelecer limites ou construir novos vínculos afetivos.
Por isso, compreender um relacionamento abusivo exige olhar além do comportamento visível. É necessário compreender a história emocional da pessoa, seus valores, suas crenças, suas necessidades afetivas e os padrões que influenciam suas escolhas.
No meu trabalho, acredito que a verdadeira transformação acontece quando a pessoa desenvolve clareza sobre sua própria realidade emocional. Não se trata apenas de identificar um relacionamento abusivo, mas de compreender o que sustenta essa dinâmica e fortalecer recursos internos para construir relações mais saudáveis, conscientes e equilibradas.
Relacionamentos saudáveis não são construídos sobre medo, controle ou submissão. São construídos sobre respeito, autonomia, responsabilidade emocional e liberdade para ser quem se é.